quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Pedagogia Waldorf

Para uma melhor compreensão do que significa uma nova forma de ensinar, faço de seguida um breve resumo da pedagogia denominada por Waldorf, correspondendo esta ao método utilizado na escola onde trabalhei.

Existe por vezes um mal entendido quando se fala na pedagogia Waldorf, em que se diz que esta escola ensina pela arte, prendendo-se mais com o ser a arte da educação. Por exemplo, a tarefa essencial do professor tanto nas actividades práticas como culturais é trabalhar com os alunos como um “artista”. Não se trata unicamente de ensinar arte ao aluno, mas de lhe ensinar também as matérias “não artísticas” de uma forma artística e imaginativa. Este método de ensino tem objectivos claros: dar liberdade, criar entusiasmo e encanto pela aprendizagem e respeitar a criança, dando-lhe tempo e espaço suficientes para aprender, sem competição e sem pressas.

A pedagogia Waldorf baseada na antroposofia significa o ter a sabedoria do homem enquanto ser composto por corpo, alma e espírito e com capacidades de pensar, sentir e agir.

Por exemplo, em História é mais importante que a criança compartilhe a angústia de Cristóvão Colombo na viagem ao “Novo Mundo”, do que aprender as datas importantes na biografia deste personagem. De facto, estas adquirem mais significado quando se experimentou o primeiro processo. Basicamente o professor dirige-se à sensibilidade da criança dos sete aos catorze anos, dado que a capacidade de relação se forma mais com base nos esforços e capacidades do professor como “artista”, que na matéria de estudo em si.

Nas Ciências Naturais, a capacidade de maravilhar-se ante o prodigioso, cultiva-se também nesta idade. Tais sensações podem aflorar por exemplo ao estudar o corpo humano, e descobrir a relação vital entre a substância mais dura e as células mais viajadas. Este sentido para o assombroso acaba por desenvolver um sentimento de reverência, podendo criar uma sensibilidade ante o prodigioso, reforçando as aptidões críticas que o estudo da ciência requer, e que se desenvolvem em etapas posteriores do ciclo educativo.

São três as fases pelas quais a criança passa segundo a pedagogia Waldorf. A primeira vai desde a concepção até aos sete anos, e a palavra chave da mesma é – Imitação. Esta consiste na etapa mais receptiva da aprendizagem da criança. O pôr-se em pé, a aquisição da linguagem e a capacidade de pensar são conquistas gigantescas, conseguidas num período de 3 ou 4 anos. A criança aprende tudo isto sem que lhe seja ensinado. Adquire-o graças a uma capacidade latente, instinto e sobretudo imitação. A criança imita tudo o que a rodeia, não só os sons da fala e os gestos dos adultos, mas também as atitudes dos pais e amigos.

A segunda fase consiste na Imaginação e vai desde os sete aos catorze anos. A criança desenvolve uma nova e vida activa imaginativa, ao mesmo tempo que uma maior disposição para a aprendizagem em sentido formal.

Experimenta e expressa a vida por meio de sentimentos mais definidos. Começa a desenvolver uma aptidão para pensar consequentemente. Esta etapa tem que ser tratada com cuidado, pois ainda que o pensar necessite de ser estimulado, a característica essencial continua a ser o universo imaginativo.

Nesta fase, os professores optam por não usar manuais escolares. São os estudantes que, por si próprios, construem os livros pelos quais estudam. E, dizem os professores, são autênticas obras de arte. Na medida em que os alunos não possuem livros mas sim cadernos, estes têm que escrever a matéria e os estudos que fazem, tendo que posteriormente os ilustrar, sendo tal uma forma de estudo e reflexão.

Também os media electrónicos são rejeitados até ao liceu, por se considerar que dificultam o desenvolvimento saudável e livre. Os professores Waldorf defendem que, até esta idade, os estudantes devem ter a oportunidade de interagir livremente uns com os outros, explorar o mundo das ideias, participar nos processos criativos, desenvolvendo o seu conhecimento, capacidades e qualidades próprias, sem que isso atrase a sua formação em relação aos estudantes do sistema de ensino oficial.

A terceira fase corresponde ao período dos catorze aos vinte e um anos sendo esta definida pelo Juízo Racional. Nesta fase o aluno é capaz de utilizar a sua mente como instrumento objectivo. Outros traços próprios da psicologia são um idealismo valioso e são, assim como uma vulnerável sensibilidade do adolescente aos seus próprios sentimentos e experiências.

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